
São Paulo, 24 de junho de 2025 — Um dos assuntos mais comentados da comunidade de Counter-Strike no último fim de semana foi a suspeita de stream sniping — a popular “telagem” — envolvendo grandes nomes do cenário brasileiro: Marcelo “Coldzera” David, Raphael “Cogu” Camargo, Ricardo “boltz” Prass e Lucas “LUCAS1” Teles. A polêmica tomou conta das redes sociais, lives e fóruns a partir do último sábado (21), gerando acusações, provocações e milhares de postagens com a hashtag #CPIdasTelas.
A discussão começou durante um mix transmitido por Coldzera na noite de sábado. Em determinado momento, o jogador sugeriu que os adversários estavam “sabendo demais” e reclamou de “timings perfeitos”, insinuando que alguém estaria assistindo à sua transmissão ao vivo para obter vantagem. Embora não tenha citado nomes, a fala gerou repercussão imediata.
Poucas horas depois, já na madrugada de domingo (22), Cogu respondeu indiretamente durante sua própria live: “Se eu quisesse ganhar mix olhando live, eu tirava o delay também, né, Cold?”. A frase reacendeu uma rivalidade antiga entre os dois, remontando a desentendimentos públicos ocorridos ainda na época da MIBR em 2020.
Ao longo do domingo, outros nomes se envolveram na discussão. Boltz publicou um tweet enigmático afirmando: “Tem gente chorando delay, mas joga com o chat aberto”, uma crítica que foi interpretada como alfinetada direta a Coldzera. Na sequência, LUCAS1 respondeu em tom mais direto: “Quem fala, mostra demo. Quem não mostra, é calúnia. Simples.”
A comunidade rapidamente se engajou no debate. Clipes foram compartilhados e analisados à exaustão, com tentativas de identificar possíveis movimentos suspeitos que indicassem o uso indevido de informações obtidas via live. No entanto, até agora, não há qualquer evidência técnica concreta — como demos ou gravações de segunda tela — que comprove a prática.
Figuras respeitadas do cenário, como Gaules e FalleN, também se manifestaram. Gaules pediu mais responsabilidade dos jogadores e sugeriu que os conflitos fossem resolvidos “no servidor, não na timeline”. Já FalleN, mais contido, afirmou que “se há provas, que se leve para os organizadores. Se não há, seguimos o jogo”.
Apesar da repercussão, nenhuma organização oficial — como a Valve, Gamers Club, CBCS ou ESL — se pronunciou até o momento. Representantes de ligas informais disseram que, sem denúncia acompanhada de provas, não há abertura para investigação. A Comissão de Integridade dos Esports (ESIC), responsável por casos anteriores como o escândalo do coach bug, também permanece em silêncio.
O episódio expôs uma fragilidade que persiste no cenário competitivo online: a ausência de protocolos padronizados para transmissões em partidas informais, como mixagens ou treinos. Em muitas situações, jogadores streamam com delay reduzido (30 a 60 segundos), o que, na prática, pode permitir algum nível de “leitura” antecipada por parte dos adversários, caso estejam assistindo à live.
Enquanto isso, a “CPI das Telas” segue firme nas redes sociais, mais como um tribunal informal de memes e especulações do que como uma apuração com consequências reais. Resta saber se o episódio servirá de alerta para que ligas, plataformas e jogadores adotem medidas mais claras de integridade nas competições — ou se será apenas mais um capítulo na longa história de tretas do CS brasileiro.
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