
A política brasileira vive um fenômeno curioso: todo mundo diz ser contra o PT, todo mundo posa de direita, mas na hora H ninguém quer fechar a porta para o Lula. É nesse espaço confortável, sem compromisso e sem risco, que partidos de centro como o PSD seguem mandando no jogo.
O discurso é sempre o mesmo: moderação, responsabilidade, diálogo. Na prática, a estratégia também não muda: juntar governadores, mostrar força e esperar o desgaste de quem está no poder para decidir, lá na frente, de que lado ficar. Não é oposição, não é situação. É conveniência.
Esse tipo de arranjo agrada ao mercado, parte da elite política e boa parte da imprensa, que trata essas movimentações como “jogadas de mestre”. Mas, para o eleitor comum, soa mais como a velha política fazendo exatamente o que sempre fez: negociar apoio conforme quem parecer vencedor.
O problema é que isso cria uma direita de fachada. Líderes que se vendem como antipetistas, mas que nunca rompem de verdade com o sistema que mantém o PT competitivo. Criticam, fazem discurso duro, mas deixam a porta aberta. Afinal, ninguém quer ficar fora do próximo governo.
Enquanto isso, a imprensa ajuda a organizar o palco: alguns nomes ganham holofote, outros simplesmente não existem. O debate fica restrito ao que é considerado “aceitável”, “viável” ou “responsável”, como se a política fosse um condomínio fechado onde só entra quem já tem chave.
No fim das contas, o eleitor é convidado a escolher entre projetos que parecem diferentes no discurso, mas muito parecidos no comportamento. O centro continua mandando, a coerência continua faltando e a política segue funcionando como um grande leilão: ganha espaço quem souber esperar melhor.
Nada muito novo. Só mais uma eleição sendo preparada nos bastidores, enquanto o público assiste achando que está vendo algo diferente.
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