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Síndrome de Alphaville ou preconceito?

Resistência a moradias populares no Bandeirantes e Parque das Emas levanta discussão sobre valorização imobiliária e direito à cidade.

23/09/2026 às 12h03 Atualizada em 23/09/2026 às 12h15
Por: Redação Fonte: José Maus
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Lucas do Rio Verde (MT) — O que deveria ser uma discussão sobre planejamento urbano acabou ganhando contornos de uma disputa sobre quem pode morar em determinados bairros de Lucas do Rio Verde.

Os Projetos de Lei nº 48 e 50/2026 autorizaram a destinação de áreas nos bairros Bandeirantes e Parque das Emas para empreendimentos habitacionais de interesse social. A proposta prevê 750 moradias, sendo 450 no Parque das Emas e 300 no Bandeirantes, vinculadas ao Minha Casa, Minha Vida, Ser Família Habitação e Ser Luverdense Habitação.

Segundo a justificativa do Executivo, a escolha das áreas considera justamente a existência de infraestrutura urbana consolidada e proximidade de escolas, unidades de saúde e áreas de lazer. A opção pelos condomínios verticais também busca aproveitar melhor o solo urbano.

Ainda assim, moradores se mobilizam contra o projeto. Entre os argumentos apresentados estão a preservação da área verde e o receio de desvalorização dos imóveis.

É aí que surge uma pergunta inevitável: o problema está realmente no empreendimento ou na ideia de que famílias de menor renda passem a morar em uma região valorizada?

A preocupação ambiental e urbanística merece ser discutida com dados e estudos. Mas utilizar simplesmente a possibilidade de “desvalorização do bairro” como argumento contra moradias populares também abre espaço para uma reflexão sobre segregação social.

Afinal, uma família de menor renda que aluga uma kitnet na região já pode morar no bairro. Por que a construção de uma moradia formal destinada a essa mesma população seria incompatível com o local?

Lucas do Rio Verde já vem ampliando sua política habitacional. O município informa que programas e empreendimentos em parceria com os governos estadual e federal já representam mais de 4 mil oportunidades de moradia, incluindo apartamentos, casas e lotes.

E a política habitacional continua avançando: em agosto, a Câmara aprovou o PL 57/2026 para viabilizar os empreendimentos verticais nos dois bairros.

No fim, a discussão talvez seja maior que 750 apartamentos.

Uma cidade em crescimento deve reservar seus bairros valorizados apenas para quem pode pagar por eles — ou permitir que trabalhadores de diferentes faixas de renda também tenham acesso às regiões onde já existem infraestrutura, serviços e equipamentos públicos?

Talvez seja essa a verdadeira questão por trás da chamada “síndrome de Alphaville”.

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