Em 2018, quando pisei em terras luverdenses, algo me chamou bastante atenção: a grama. Nas praças, canteiros, casas e empresas. Um verde predominante nos períodos chuvosos que provavelmente deixou alguém bem financeiramente ao vendê-la.
Mas a pergunta é: "Por que tanta grama? Qual o fascínio que impulsiona essas pessoas a plantar grama até no quintal de casa?"
Historicamente, os gramados são associados à riqueza e ao prestígio, principalmente por influência dos jardins ingleses e franceses no final da Idade Média, algo que apenas alguém com tempo e dinheiro poderia ter, ao contrário dos camponeses. Assim, os nobres, com seus amplos espaços cuidados por servos, mostravam simbolicamente suas condições financeiras.
Séculos adiante, com a Revolução Industrial, o gramado tornou-se algo mais acessível e popularizou-se em outras classes sociais, estabelecendo modelos residenciais americanos, inclusive nos subúrbios, após a Segunda Guerra Mundial.
Em 2005, 2% de todo o território dos EUA era ocupado por grama, tornando a aparência de um jardim um sinal público de cuidado com o imóvel e associando culturalmente o gramado ao sucesso familiar, colocando a famigerada grama como símbolo de conquista material e pertencimento.
Outro ponto relevante quanto ao seu uso se deve à mensagem que o proprietário deseja passar, comunicando cuidado, disciplina e conformidade com padrões sociais, além de demonstrar controle sobre a própria natureza.
Além dos aspectos culturais e sociais, há pontos positivos e negativos que podemos considerar.
Um interessante artigo de Francisco Humberto Dubbern de Souza (e outros) discute as funções dos gramados no Brasil, concluindo que, além de oferecerem um espaço de lazer e recreação, buscam proteger o solo contra a erosão, favorecer a infiltração e reduzir o aquecimento de superfícies.
Uma pesquisa realizada no campus da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá, comparou diferentes coberturas de solo, apontando vantagens da grama sobre superfícies impermeabilizadas em determinadas condições, mas destacando também a importância do sombreamento proporcionado pelas árvores.
Outra pesquisa pontuou a importância de áreas verdes para a saúde mental mostrando que são inversamente proporcionais ao número de transtornos mentais comuns.
Quanto aos pontos negativos, a manutenção desse símbolo de nobreza e status requer um grande uso de recursos hídricos, além de produtos químicos potencialmente prejudiciais ao meio ambiente (fertilizantes, pesticidas etc.).
Apesar dos pesares, e tentando responder ao questionamento de 2018, vejo que o uso de grama em Lucas acaba por apoiar-se ou no status, que perpassa pela riqueza, pelo cuidado e pela estabilidade social, ou no lazer e na climatização das residências e áreas públicas.
Porém, em que medida essas escolhas são influenciadas por cada um desses fatores? Não sei, talvez nunca saibamos, só posso dizer que quem vende a grama está indo bem em terras luverdenses.
Sobre o autor
Leonardo Borralho é advogado, procurador legislativo da Câmara Municipal de Lucas do Rio Verde (MT) e professor universitário nos cursos de Direito e Psicologia do Centro Universitário La Salle. Mestre em Tecnologias Emergentes em Educação, possui especializações nas áreas de Direito Administrativo, Advocacia Pública e Gestão Pública. Bacharelando em Administração Pública (UFMT).
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