
Washington, 30 de julho de 2025 – Em uma ofensiva tarifária global anunciada nesta quarta-feira (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou novas medidas que afetam países como Brasil e Índia, além de endurecer regras comerciais sobre matérias-primas como o cobre.
Trump assinou um decreto executivo impondo tarifas de 50 % sobre as importações brasileiras, com início previsto para 6 de agosto de 2025, citando motivos como a perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro e posicionamentos contrários aos valores democráticos norte-americanos.
A medida ampliou controvérsias jurídicas: estudiosos de direito comercial afirmam que Trump pode ter ultrapassado os limites legais da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), levantando questionamentos que podem chegar à Suprema Corte americana. Em resposta, o Brasil anunciou recurso formal junto à OMC e antecipou possíveis retaliações tarifárias.
Ao mesmo tempo, Trump decretou a aplicação de 25% de tarifa sobre os produtos importados da Índia, com início em 1º de agosto de 2025, também incluindo uma "taxa penalidade" adicional em razão das compras indianas de petróleo e equipamentos militares da Rússia.
Especialistas alertam que o setor farmacêutico e automotivo indiano pode sofrer forte impacto, e que o Produto Interno Bruto do país poderá ser afetado em virtude da perda de competitividade no mercado dos EUA. Além disso, as conversas comerciais entre os dois governos entraram em colapso devido a discordâncias sobre acesso ao mercado agrícola indiano, um dos principais entraves nas negociações recentes.
Em outra frente comercial, Trump assinou atos para impor tarifas universais de 50 % sobre produtos semiacabados e derivativos de cobre, válidas a partir de 1º de agosto, classificando o material como essencial à segurança nacional americana. Essas medidas vão ao encontro da estratégia dos EUA para revitalizar a cadeia produtiva doméstica e reduzir dependência externa.
Enquanto acerta novos acordos comerciais com diversas nações, os EUA também firmaram com a União Europeia uma redução das tarifas previstas para automóveis, semicondutores, produtos farmacêuticos e autopeças, estabelecendo uma alíquota de 15 %, em alternativa às taxas que chegariam a 27,5 % em agosto. No entanto, os EUA mantêm altas tarifas sobre metais — e a medida depende do cumprimento de compromissos por parte da UE, sob risco de novos aumentos caso esses não sejam atendidos.
No Senado americano, o Partido Democrata tentou barrar pelo menos parte dessas tarifas por meio de uma moção de consentimento unânime, liderada pela senadora Jeanne Shaheen. O objetivo é forçar republicanos a explicar publicamente seu apoio às tarifas, mesmo sabendo que um único senador do GOP pode bloquear o pedido.
Para o Brasil, a medida acena com risco de deterioração das exportações em setores estratégicos como carne, café, suco de laranja e aeroespacial, e aumenta pressões inflacionárias e cambiais.
Para a Índia, a firmeza em setores como autopeças e produtos farmacêuticos coloca em xeque o plano de dobrar o comércio bilateral até 2030.
Para os Estados Unidos, apesar do aumento na arrecadação, há alerta sobre possíveis danos à confiança do consumidor e pressões inflacionárias; autoridades monetárias mantêm cautela em relação ao impacto real sobre o crescimento econômico.
Trump avançou, no mesmo dia, com tarifas de 50% sobre o Brasil e o cobre, e 25% sobre a Índia, além de penalizações adicionais ligadas às relações com a Rússia. Os movimentos escalaram tensões diplomáticas, geraram crises jurídicas e interromperam negociações comerciais com diversos parceiros.
As reações internas nos EUA e internacionais sinalizam que a disputa tarifária está longe de se encerrar: painéis legais, disputas na OMC e ações políticas indicarão os próximos passos.
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