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Megaoperação no Rio expõe a “guerra invisível” contra o narcotráfico e o crime organizado

Cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar foram mobilizados com o objetivo de desarticular lideranças do Comando Vermelho e enfraquecer o poder do narcotráfico que domina comunidades inteiras.

29/10/2025 às 16h34
Por: Redação
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 Tomaz Silva/Agência Brasil
Tomaz Silva/Agência Brasil

A maior operação policial dos últimos 15 anos no Rio de Janeiro transformou os Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da cidade, em palco de uma verdadeira guerra urbana nesta terça-feira (28). Cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar foram mobilizados com o objetivo de desarticular lideranças do Comando Vermelho e enfraquecer o poder do narcotráfico que domina comunidades inteiras.

A ação, planejada por meses, resultou na prisão de mais de 100 suspeitos, incluindo integrantes de uma facção criminosa originária do Pará que havia se refugiado no Rio. As forças de segurança também apreenderam 70 fuzis, além de pistolas, granadas e grande quantidade de munições, configurando um dos maiores arsenais já retirados das mãos do crime organizado no estado.

Apesar da magnitude da operação, o confronto teve um saldo trágico: pelo menos 64 mortos e 75 feridos, entre eles dois policiais civis e dois militares. A Polícia Civil fez um apelo nas redes sociais por doações de sangue para os agentes feridos em serviço.

O impacto da operação se espalhou por diversas regiões da capital e da Região Metropolitana. Ruas foram bloqueadas e barricadas erguidas por traficantes interromperam vias estratégicas como as do entorno dos complexos da Penha, Alemão, Chapadão e São Francisco Xavier, além de áreas da Freguesia, Taquara e da BR-101, em São Gonçalo. Houve também incêndios criminosos em vias como a Grajaú-Jacarepaguá, importante ligação entre as zonas Norte e Sul.

A cidade entrou em estágio 2 de atenção, que indica risco de ocorrências de alto impacto. Segundo a Rio Ônibus, mais de 120 linhas de transporte tiveram seus trajetos alterados. Cerca de 50 escolas e universidades, incluindo a UFRJ, a UERJ e a UFF, suspenderam as aulas por motivos de segurança.

O governador Cláudio Castro defendeu a operação e pediu apoio federal no enfrentamento ao crime organizado.

“Essa é uma guerra que já ultrapassou os limites da segurança pública. O Estado do Rio está fazendo sua parte, mas não pode lutar sozinho. Precisamos de um apoio maior, talvez até das Forças Armadas”, declarou.

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Alerj afirmou acompanhar “com extrema preocupação” a escalada de violência e informou que vai acionar o Ministério Público e as polícias Civil e Militar para obter explicações sobre as circunstâncias da ação.

A operação repercutiu em veículos internacionais como Reuters e El País, evidenciando que a crise de segurança pública no Rio de Janeiro continua sendo um problema de escala global — uma guerra invisível travada diariamente entre o Estado e o poder paralelo das facções criminosas.

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